Introdução
Atividade “3 tempos, 3 monumentos: o Castelo, a Sé e a Fábrica”, Copyright © Fundação Robinson, 2011
No dia 29 de Novembro de 2011 um grupo de alunos do 3º ano da Escola do Atalaião (Portalegre), com idades compreendidas entre os 8 e os 9 anos, visitou as instalações da Fábrica Robinson.
Perante a questão “A Fábrica Robinson é um monumento, sim ou não?”, as respostas foram variadas, umas muito objetivas outras mais criativas. Para além da resposta que acima se ilustra indicamos também os seguintes exemplos:
Eu acho que a Fábrica Robinson não é um monumento porque está muito velha e a cair aos bocados. Tem os vidros partidos, está quase toda queimada e está muito suja. (João Napita)
A Fábrica Robinson é um monumento, porque é uma obra digna de passar à posteridade a memória duma grande indústria que outrora empregou mais de 1000 trabalhadores. Levou, com os seus produtos fabricados, o nome de Portalegre a várias partes do mundo. O imóvel não pode ser destruído, modificado ou restaurado se o ministro respetivo não der o seu consentimento. A cidade ficava mais alegre quando se podia ouvir tocar o apito à entrada e à saída dos trabalhadores, um som que ecoava pelas redondezas. (Mariana Paixão)
Eu acho que a fábrica Robinson não devia ser um monumento porque é apenas uma fábrica, um pouco antiga. Teve alguns incêndios, mas era normal. Há outras fábricas, um pouco antigas, e nenhuma foi um monumento. Mas talvez a fábrica seja um monumento, tinha coisas interessantes que nós não sabíamos o que faziam. Havia coisas já enferrujadas (a maior parte das coisas), os vidros partidos. Eu ainda não percebi porque é que a fábrica Robinson é um monumento. (Bárbara)
Tarefa
Visita de estudo à Fábrica Robinson, Portalegre. Copyright © Fundação Robinson, 2012.
O jornal mais lido da cidade de Portalegre publicou, em primeira mão, a seguinte notícia de última hora:
Fontes seguras deram a conhecer à redação do nosso jornal que a centenária fábrica das rolhas de Portalegre vai ser demolida. O documento a que tivemos acesso resulta de uma decisão onde se pode ler que toda a zona ocupada pela fábrica será reconvertida numa zona residencial e de serviços. Tal implica a demolição de todos os pavilhões industriais que ocupam os cerca de 7 hectares de terrenos próximos do centro histórico. Esta decisão vem dar resposta à necessidade de crescimento e ampliação da cidade junto ao centro histórico procurando melhorar a atratividade desta zona nobre da cidade. O avançado estado de degradação da fábrica, que encerrou em 2009, foi a justificação encontrada para a sua total demolição, avançam fontes seguras. Até ao encerramento desta edição não nos foi possível apurar qualquer outra informação que nos pudesse esclarecer sobre esta decisão.
Perante esta notícia duas facções levantaram-se na cidade de Portalegre. Um grupo defende a demolição da fábrica para que se avance com o projeto de requalificação daquela importante zona da cidade. Argumentam que perante o estado de degradação daqueles antigos espaços fabris a solução passa por demolir e construir um novo espaço urbano que Portalegre tanto precisa. Já outro grupo posiciona-se contra esta ideia. Defendem a reabilitação da Fábrica e a preservação da sua memória histórica. Afirmam que não se pode ignorar os cerca de 170 anos de funcionamento desta importante indústria e o seu impacto na cidade de Portalegre.
E você? De que lado vai ficar? A sua tarefa será a de redigir argumentos que justifiquem a preservação/manutenção ou demolição deste sítio pós-industrial.
Processo
Performance artística no interior da Fábrica Robinson. Copyright © María Sayago, 2015
Para realizar a sua tarefa deverá agir como um historiador e formular bem a sua argumentação. Use também a sua criatividade para demonstrar o seu ponto de vista e convencer outras pessoas a defenderem a sua ideia.
A decisão foi tomada! A Fábrica Robinson vai mesmo ser demolida.
1ª Fase | Observar a situação e tomar uma posição. A base de partida para a sua argumentação inicia com uma tomada de posição. Perante a situação que lhe foi apresentada qual a sua posição? Indique-a.
2ª Fase | Analisar a realidade. Vá para o terreno, conheça a realidade atual desta que foi uma das pioneiras fábricas de cortiça de Portugal. Tem na secção de links toda a informação sobre esta fábrica. Comece por assistir ao documentário “A ideia nunca abala”, do realizador Jorge Murteira. Registe toda a informação que considerar importante. Para apoio a visualização do documentário, leia na zona dos recursos o número 22 das Publicações da Fundação Robinson – A ideia nunca abala. Sugerimos depois, caso tenha oportunidade, que marque uma visita ao Espaço Robinson através dos seguintes contactos: Fundação Robinson – Serviço de Educação, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Nesse seu contacto indique que está a realizar este exercício. A visita será adequada ao trabalho que está a desenvolver. Vai ficar surpreendido/a!
3ª Fase | Estudar o passado da fábrica. Nesta fase, já tem na sua posse muita informação sobre esta fábrica. Por esse motivo, deverá selecionar. Escolha uma situação, um marco importante na história desta fábrica, que será a base da sua argumentação. Essa seleção deverá ter como suporte um documento (cartas; jornais; fotografias; ilustrações; e outros registos orais e visuais). É a fase da investigação! Elabore um guião com os principais dados e argumentos que vai utilizar. Facilitará o seu trabalho se fizer uma organização cronológica dos factos e dos aspetos mais significativos que considerar relevantes.
4ª Fase | Apresentar a sua argumentação. Depois deste percurso terá apenas de preparar a sua argumentação. Escolha bem os seus fundamentos. Seja criativo, pois terá de convencer o maior número de pessoas a juntar à sua causa. Prepare uma apresentação num suporte atrativo, ou simplesmente utilize o seu poder de persuasão. Nesta fase, se escolheu visitar o Espaço Robinson pense em articular essa apresentação com o Serviço de Educação dessa instituição.
Resultados de aprendizagem
- Conhecimentos gerais básicos sobre Património Industrial.
- Conhecimentos gerais básicos sobre metodologia histórica.
- Conhecimentos gerais básicos sobre técnicas de argumentação.
- Desenvolver organizadamente um raciocínio, uma ideia e/ou uma opinião.
- Apresentar com clareza e correção argumentos e ideias.
- Desenvolver sentimentos de pertença e responsabilidade em relação ao património cultural histórico.
- Desenvolver uma atitude refletiva crítica e construtiva em relação a temas sociais e históricos.
- Refletir sobre a importância no envolvi-mento dos cidadãos no processo histórico.
- Refletir sobre o valor e o impacto do estudo do passado na sociedade atual.
- Seguir as instruções previstas para o cumprimento das tarefas e ações propostas.
- Demonstrar capacidades de organização, planificação e gestão do tempo.
- Demonstrar capacidades de iniciativa.
- Demonstrar espírito crítico e de análise.
Conclusão
Enquanto membros de uma comunidade devemos participar ativamente e conscientemente para o seu desenvolvimento. Saber o que se passa à nossa volta não é suficiente. É necessário intervir e para isso é necessário conhecer criticamente o que nos rodeia: na formação da consciência crítica é necessário que a injustiça se torne clara para entender a consciência, possibilitando aos sujeitos inserirem-se no processo histórico e fazendo com que se inscrevam na busca da sua afirmação. (…) a consciência crítica possibilita a inscrição dos sujeitos na realidade para melhor conhecê-la e transformá-la, formando-o para enfrentar, ouvir e desvelar o mundo, procurando o encontro com o outro, estabelecendo um diálogo do qual resulta o saber (…). (Maria Schmidt, Tânia Garcia. A Formação da Consciência Histórica de Alunos e Professores e o Cotidiano em aulas de História.)
links
Fábrica Robinson (1840-2009)
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2011/05/fabrica-robinson-de-cortica.html
Conjunto Igreja, Convento de São Francisco e Fábrica Robinson
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/15140191
Convento de São Francisco / Fábrica de Cortiça Robinson
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6564
Notícia sobre a classificação do Espaço Robinson
http://www.construir.pt/2013/01/08/igreja-e-antigo-convento-de-sao-francisco-e-fabrica-robinson-classificados-como-conjunto-de-interesse-publico/
Notícia sobre a classificação do Espaço Robinson
http://www.publituris.pt/2013/01/08/espaco-robinson-classificado-como-conjunto-de-interesse-publico/
documentos
Portaria nº 740-DX/2012 – Classificação do Espaço Robinson Publicações da Fundação Robinson 22 – A ideia nunca abala
vídeos
